Thursday, December 4, 2008

en Coeur... Por que voltar?

Foto: Vitrine da Repetto, Paris


As interrupções na vida podem ser dolorosas. Muitas vezes, somos “parados” pela vida, sem que tenhamos escolha ou mesmo condições de pedir mais um tempinho... E, à medida que os anos avançam, parece ainda mais difícil retomar o que foi interrompido.
No ano passado, tive a felicidade de encontrar uma forma de retornar ao percurso, depois de quase três décadas – muito tempo, não? – e voltei a dançar ballet. Foi uma volta impetuosa sim, mas repleta de insegurança. Não pensei; apenas fui!
E encontrei algo que julgara perdido, no fundo da minha alma, que trouxe à tona o desejo a ser realizado por um corpo mais velho, é claro, porém sedento da magia da dança. Foi uma conjunção de fatores que permitiu tal (re-)encontro:
O primeiro, e mais vital, foi a confiança do meu amado na real condição de execução do meu sonho adormecido (e acalentado!) por tantos anos: voltar a dançar.
O segundo catalisador sempre esteve por perto – a existência de uma profissional incrível, minha professora da infância, responsável pelas minhas pontas, que, cheia de alegria e de um ânimo inabalável, me encorajou na empreitada que estava começando.
E, em terceiro lugar, uma agradável surpresa: ela veio se processando e agora atingiu um ponto realmente especial – o encontro do grupo! Cada aula, apesar de árdua e exigente, proporciona momentos memoráveis, os quais nos estimulam a querer mais.
Portanto, não é de se estranhar o que se processou – o fio da tessitura do tempo parece ter sido novamente restabelecido, gerando efeitos no próprio corpo. É visível o que o ballet faz com o nosso corpo, em qualquer idade! E perceber que é sempre possível desfrutar desse prazer é, sem dúvida, a maior conquista.
Desejo que todos que, por algum motivo, interromperam um sonho, busquem formas de re-abraçá-lo! Lógico que não é um passe de mágica; entretanto, o desejo da retomada deve ser a linha-guia para essa busca.
Por que voltar? Porque, apesar de ter um sentido de passado, a volta traz consigo o presente! Não se trata de retornar ao tempo da interrupção, mas de permitir que a alma e o corpo reencontrem suas conexões e refaçam seu trajeto, aqui, agora, em um novo tempo, repleto de frescor e disposição para tirar o sonho do imaginário e realizá-lo no real! Se a interrupção foi dolorosa, esqueçam; façam da volta algo do plano do prazer e desfrutem: os efeitos irão surpreendê-los! Com certeza!
Bem-vindas, bailarinas de sempre! Vamos dançar!


Foto: Young dancer, próxima a Royal Opera House, Londres


Agradecimento: Àquela responsável por guiar o meu corpo em direção ao universo da dança e permitir o desabrochar da minha alma – Celia Hollanda. Um beijo no coração!

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